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sábado, 1 de outubro de 2011

Ouvindo Sem Parar: Kimbra - "Vows"

Quantas Kimbras cabem num só álbum?



Desde que escutei a cantora neozelandesa Kimbra, como vocalista convidada do Miami Horror na faixa "I Look to You" do album Illumination, fiquei fissurado. Logo veio o vídeo de "Settle Down" com a promessa de lançamento do álbum Vows, mas a ansiedade teve que esperar, porque demorou mais de um ano para cair na rede, e de lá para cá quem estava louco para ouvir um disco inteiro da cantora teve que se contentar com sessões ao vivo no studio Sing Sing (sensacionais) e os víeos de "Cameo Lover" e "Good Intent".

Bom, mas o disco tão aguardado chegou, e, surpresa, tem de tudo lá! Kimbra apresenta diversas texturas de voz e sonoridades bastante diferentes de uma música para a outra. Eu pessoalmente gostei mais das Kimbras Pop-Soul ("Plain Gold Ring", releitura do sucesso na voz de Nina Simone, "Good Intent", "Two Way Street" e
"Withdraw") e Alternativa ("Settle Down" e "Limbo"), mas as intervenções Pop Chiclete "Cameo Lover", R&B "Call Me", e todo o resto são extremamente bem executados, deixando claro o quanto a cantora é versátil e competente.

Vale a pena também dar uma checada na participação dela na linda "Somebody That I Used To Know" do Gotye (Que lançou outro disco que estou ouvindo sem parar)




quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ouvindo sem Parar: Sharon Jones & The Dap Kings - "I Learned the Hard Way"

Sharon Jones & The Dap Kings não é vintage. O som encontrado pela banda, que tem a frente a cantora nascida em Augusta, na Georgia (Cidade que já tinha presenteado o mundo com James Brown) poderia ser escutado na mesma estação de rádio onde se ouviam os grandes nomes do soul e funk nos anos 60.

Nada mais auto-explicativo que o clipe da faixa título "I Learned the Hard Way":


A cantora, como outras vozes americanas fundamentais, tem origem nos corais de igrejas, passando boa parte da vida como backing vocal, chegou até a ser agente penitenciária, mas hoje a banda encontra o reconhecimento da crítica e público por seus álbuns irretocáveis, shows fantásticos (vê lá no youtube) e a voz  genial de Sharon.

Desde já, a banda é favorita do blog!

Agora se o assunto é vintage, "old fashion" não poderia deixar de indicar esses dois disquinhos sensacionais:

Alice Russell - "Pot of Gold"
 
A cantora inglesa tem um timbre parecido com o da Nikka Costa, mas um som indiscutivelmente funky e gostoso.

Cee-Lo Green - "The Lady Killer"
O cantor, produtor e vocalista do Gnarls Brakley aparece com um disco irresistível, pop e soul, carregando o megahit desbocado "Fuck You".

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O monstro Pop que tudo devora - David Byrne & Fatboy Slim "Here Lies Love"

O que um álbum duplo de música genuinamente pop e a vida pessoal e política de uma ex-primeira dama das Filipinas podem ter em comum?

Para mim, assim como a maioria das pessoas não parece haver nenhum modo de ligar essas duas coisas. Mas foi exatamente o que fizeram o malucão David Byrne e o dj superstar Fatboy Slim. "Here Lies Love" é um musical sobre a vida de Imelda Marcos e sua babá Estrella Cumpas, o que as faixas "Rose of Tacloban",  "Ladies in Blue" e "Seven Years" deixam bem claro. Mas não é apenas na sonoridade dos musicais clássicos americanos que o disco se inspira. Cabe de tudo um pouco: Folk, Miami Bass, Soul, Funk e principalmente, fazendo a colagem sonora, pop dos anos 60 e 70!

Agora misture a tudo isso letras baseadas em entrevistas, discursos e situações vividos por Imelda e Estrella, principalmente no fim da ditadura Marcos, quando a família foi obrigada a deixar as Filipinas... Eu sei, parece um pouco demais, mas a verdade é que o disco é sensacional, para dançar, para escutar em casa, para refletir. Muitos podem apenas se divertir com os beats surreais criados pela dupla sem se preocupar com a parte "cabeça", como escrito na crítica de Jody Rosen para a Rolling Stone.

Cada música é interpretada por diferentes cantores, entre os quais membros da nata do pop alternativo atual como Róisín Murphy (vocalista da banda Moloko), Tori Amos, Cindy Lauper, Florence Welch (do Florence and the Machine), Sharon Jones, Martha Wainwright (irmã do Rufus) e a já queridinha do blog Santigold, entre outros, todos com vocais espetaculares, sem exceção.

David Byrne escreveu em seu site que estava interessado em personalidades poderosas e o que move suas atitudes, e encontrou na música pop o veículo ideal trabalhar o assunto. As músicas serão parte de um espetáculo que será encenado pelo Public Theatre, em New York.

Enfim, quanto à parte "cabeça" posso dizer que quando (de tanto escutar o disco) as letras começam a sobressair, a escuta fica realmente mais interessante, e o poder pode ser representado pela euforia da música de pista; para quem ainda tem alguma dúvida de que tudo pode entrar no liquidificador pop, está aqui a prova cabal.

Aqui Imelda Marcos, hoje com 81 anos, escuta "Here Lies Love"

Vídeo de "Please Don't", com Santigold

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ouvindo sem parar - Santogold

Frequentemente decido que novos sons vou escutar pelas capas dos discos. Na verdade eu sou uma espécie de viciado em capas interessantes, instigantes. Então já dá para imaginar o que aconteceu quando vi isso:


Mais uma vez não me arrependi. Assim como aconteceu com Björk, Otto, Etta James, Cibelle, entre outros, a música está completamente à altura do visual. Santogold é o primeiro álbum de Santigold, projeto da cantora/compositora Santi White, nascida no Brooklin, e do produtor/compositor John Hill. A mistura traz um pouco de tudo: ragga, hip-hop, punk-rock, miami bass (ou releitura de funk carioca estilo M.I.A) asian pop e  pop do mais deslavado também. O resultado é um conjunto de músicas que parecem saídas de lugar nenhum e de todo lugar ao mesmo tempo, com a voz às vezes melodiosa, às vezes lânguida e descompromissada de White dialogando com beats, samples e sons malucos de gente como Disco D, Switch, Sinden, Freq Nasty, Diplo, Radioclit, Clifford "Moonie" Pusey, Chuck Treece, Naeem Juwan, M.I.A, e Trouble Andrew. Aí embaixo o vídeo de "L.E.S Artistes", também de encher os olhos!



Notas pessoais de um sempre iniciante na vida, nada que vá ajudar a ninguém.