segunda-feira, 31 de maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O monstro Pop que tudo devora - David Byrne & Fatboy Slim "Here Lies Love"

O que um álbum duplo de música genuinamente pop e a vida pessoal e política de uma ex-primeira dama das Filipinas podem ter em comum?

Para mim, assim como a maioria das pessoas não parece haver nenhum modo de ligar essas duas coisas. Mas foi exatamente o que fizeram o malucão David Byrne e o dj superstar Fatboy Slim. "Here Lies Love" é um musical sobre a vida de Imelda Marcos e sua babá Estrella Cumpas, o que as faixas "Rose of Tacloban",  "Ladies in Blue" e "Seven Years" deixam bem claro. Mas não é apenas na sonoridade dos musicais clássicos americanos que o disco se inspira. Cabe de tudo um pouco: Folk, Miami Bass, Soul, Funk e principalmente, fazendo a colagem sonora, pop dos anos 60 e 70!

Agora misture a tudo isso letras baseadas em entrevistas, discursos e situações vividos por Imelda e Estrella, principalmente no fim da ditadura Marcos, quando a família foi obrigada a deixar as Filipinas... Eu sei, parece um pouco demais, mas a verdade é que o disco é sensacional, para dançar, para escutar em casa, para refletir. Muitos podem apenas se divertir com os beats surreais criados pela dupla sem se preocupar com a parte "cabeça", como escrito na crítica de Jody Rosen para a Rolling Stone.

Cada música é interpretada por diferentes cantores, entre os quais membros da nata do pop alternativo atual como Róisín Murphy (vocalista da banda Moloko), Tori Amos, Cindy Lauper, Florence Welch (do Florence and the Machine), Sharon Jones, Martha Wainwright (irmã do Rufus) e a já queridinha do blog Santigold, entre outros, todos com vocais espetaculares, sem exceção.

David Byrne escreveu em seu site que estava interessado em personalidades poderosas e o que move suas atitudes, e encontrou na música pop o veículo ideal trabalhar o assunto. As músicas serão parte de um espetáculo que será encenado pelo Public Theatre, em New York.

Enfim, quanto à parte "cabeça" posso dizer que quando (de tanto escutar o disco) as letras começam a sobressair, a escuta fica realmente mais interessante, e o poder pode ser representado pela euforia da música de pista; para quem ainda tem alguma dúvida de que tudo pode entrar no liquidificador pop, está aqui a prova cabal.

Aqui Imelda Marcos, hoje com 81 anos, escuta "Here Lies Love"

Vídeo de "Please Don't", com Santigold

sexta-feira, 23 de abril de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

GLAUCO - Um dos meus ídolos se foi...

Em memória do criador do Geraldão, Casal Neura, Geraldinho, entre muitos outros personagens sensacionais, levado da vida de forma abrupta.


Dia triste...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ouvindo sem parar - Santogold

Frequentemente decido que novos sons vou escutar pelas capas dos discos. Na verdade eu sou uma espécie de viciado em capas interessantes, instigantes. Então já dá para imaginar o que aconteceu quando vi isso:


Mais uma vez não me arrependi. Assim como aconteceu com Björk, Otto, Etta James, Cibelle, entre outros, a música está completamente à altura do visual. Santogold é o primeiro álbum de Santigold, projeto da cantora/compositora Santi White, nascida no Brooklin, e do produtor/compositor John Hill. A mistura traz um pouco de tudo: ragga, hip-hop, punk-rock, miami bass (ou releitura de funk carioca estilo M.I.A) asian pop e  pop do mais deslavado também. O resultado é um conjunto de músicas que parecem saídas de lugar nenhum e de todo lugar ao mesmo tempo, com a voz às vezes melodiosa, às vezes lânguida e descompromissada de White dialogando com beats, samples e sons malucos de gente como Disco D, Switch, Sinden, Freq Nasty, Diplo, Radioclit, Clifford "Moonie" Pusey, Chuck Treece, Naeem Juwan, M.I.A, e Trouble Andrew. Aí embaixo o vídeo de "L.E.S Artistes", também de encher os olhos!



sábado, 5 de dezembro de 2009

Peixe Voador

Esses são desenhos que fiz para o material de um seminário de arquitetura...acabaram não sendo utilizados, mas pela simpatia do peixe com asas de origami, resolvi colocar aqui.



domingo, 22 de novembro de 2009

HQ - Capote no Kansas


Andei lendo Capote no Kansas (no original "Capote in Kansas" pela Oni Press), publicado no Brasil pela editora Devir, e não posso deixar de comentar o prazer de ler a ficção histórica de Ande Sparks e Chris Samnee. A bela história desenvolvida por Sparks procura estudar as motivações e transformações sofridas pelo escritor Truman Capote ao viajar para o Kansas em busca da história de A Sangue Frio, seu livro mais famoso. Ande Sparks é famoso por ser arte-finalista da revista Lanterna Verde, entre outros destaques, mas também é um estudioso da obra de Truman Capote, de forma que desenvolveu um roteiro enxuto e digno da empreitada de recontar uma história tão popular, se permitindo a liberdade de convocar o fantasma de Nancy Clutter para discutir com Capote as razões e circunstâncias dos fatos na obra. O bom roteiro serviu como uma luva para os desenhos fantásticos de Chris Samnee, que trabalha luz e sombra em preto e branco absolutos com uma força narrativa impressionante, além de um trabalho genial de expressão e caracterização de personagens.





Uma ótima leitura para quem leu "A Sangue Frio" e para quem não leu também!
Notas pessoais de um sempre iniciante na vida, nada que vá ajudar a ninguém.